• Fonte Samaritana

  • Delegação (Aldeia Gavinha)

  • Fonte Gótica

  • Parque Infantil da Merceana

  • Ruínas de São Sebastião

  • Sede (Aldeia Galega)

 

História

Com uma área de 27,95 Km2, localiza-se no coração do Concelho de Alenquer confronta com o Concelho de Torres Vedras e com as Freguesias:

  • Ventosa
  • Olhalvo
  • Meca
  • União de Ribafria e Pereiro de Palhacana

É composta pelas seguintes localidades: 

  •      Aldeia Galega (sede de Freguesia)
  •      Aldeia Gavinha
  •      Arneiro
  •      Barbas          
  •      Casais Brancos
  •      Casais de S. Martinho
  •      Casais do Cotovelo
  •      Casais Maçaricos
  •      Casal das Queimadas
  •      Corujeira (parte)
  •      Forno da Telha
  •      Freixial do Meio
  •      Mata
  •      Merceana
  •      Montegil
  •      Mossorovia
  •      Paiol
  •      Remolha
  •      Sobreiros (parte)
  •      Tojal
  •      Vale Benfeito  

Atividade Principal:
Agricultura e vitivinicultura.

Gastronomia:
Bacalhau à adega, Sarrabulho e Uvada

Aldeia Galega da Merceana

Já era freguesia em 1259, pertencendo ao termo de Alenquer. Orago, Nossa Senhora dos Prazeres.

Tinha, antes da reorganização administrativa de 2013, uma área de 19 km². Confronta a norte com o concelho de Torres Vedras e as freguesias de Vila Verde dos Francos e Ventosa; a sul com Pereiro de Palhacana; a nascente com Aldeia Gavinha e Ribafria e a poente com o concelho de Torres Vedras.

Foi outrora e talvez ainda seja, o centro de produção vinícola mais rico do concelho.

Perto de 1930, Hipólito Cabaço localizou no lugar de Aldeia Galega ou nas suas imediações, uma estação eneolítica onde recolheu alguns machados polidos, facto que indicia uma ocupação muito remota destes sítios.

Luciano Ribeiro refere a existência de uma ponte romana, à saída do lugar.

Da origem do topónimo diz-se que “o nome de Aldeia Gallega, tão commum em Portugal apenas significa que o terreno em redor não era fértil ou rendoso mas sim terra delgada, charneca, ou inculto”. Mas a povoação, cuja origem provável faz remontar aos princípios da monarquia, não foi sempre conhecida por este nome. Chamou-se antes “Montes de Alenquer” e em meados do século XIII era já um lugar importante. Em 1259 é já sede de freguesia. Em 1282, D. Dinis faz dele julgado, separando-o da vila e termo de Alenquer, como recompensa pela lealdade demonstrada por este povo ao rei D. Sancho, seu tio. Será ainda D. Dinis que finalmente lhe concederá a autonomia, em 1305, através da concessão de foral.

Separado de Alenquer, continuará o lugar de Montes, entretanto vila de Aldeia Galega, a ter como donatária a Casa das Rainhas. Em 1513 é concedido por D. Manuel I o 2º Foral, conhecido por Foral Novo.

Em 1712 pertenciam ao termo de Aldeia Galega os lugares de: Merceana, Arneiro, Vale Benfeito, Barbas de Porco, Palhacana, Aldeia Gavinha, Freixial de Baixo, Freixial do Meio, Freixial de Cima, Cortegana e Atalaia.

A vila de Aldeia Galega contava, em 1527, com um total de “65 vizinhos, entre eles 6 cavaleiros e 8 escudeiros”. Entre os soldados portugueses que foram prestar serviço na índia, durante o século XVI encontrava-se Fernão Penteado, de Aldeia Galega.

A extinção do concelho de Aldeia Galega, remota a 1855.

De fundação muito antiga é a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, sede da paróquia, com pórtico pré-manuelino e pia batismal decorada ao estilo do Renascimento. É rica em azulejos e telas e a pintura do teto data do século XVIII. Entre as várias sepulturas, no corpo da igreja, destaca-se uma brasonada, datada de 1553.

A capela do Espírito Santo, que teve hospital anexo, administrado pela família Pereira Rebelo, encontrava-se em ruínas em 1873, foi mais tarde restaurada, apresentando um notável frontal de azulejos.

Na chamada Praça, ergue-se o pelourinho manuelino, decorado com motivos vegetais e em frente, a antiga casa da câmara e a Casa da Rainha como é  conhecida, onde está instalada atualmente a sede da União das Freguesias.

Da então arruinada igreja da Misericórdia, próxima do pelourinho e ali instalada em 1616, era padroeiro em 1758, João Carlos de Miranda. Por meados do século XIX já só lhe restavam as paredes.

José Gomes Castelo, natural do lugar de Ribafria, foi grande benfeitor desta Casa. Em 1792, depois de obter autorização da rainha D. Maria I, doa-lhe todos os seus bens para a instalação de um hospital para recolhimento e sustentação dos pobres e cura dos enfermos. As casas onde funcionava este hospital foram, em 1839, concedidas à câmara de Aldeia Galega para ali instalar os Paços do Concelho.

Na antiga vila existiu ainda outra ermida, da invocação de Nossa Senhora dos Anjos, pertencente à quinta que foi dos Pereira Rebelo, situada nas traseiras da igreja paroquial. Tinha ermitão, durante os séculos XVII e XVIII, e aqui se sepultavam os membros daquela família.

Já fora do lugar existiu uma ermida de São Sebastião “outrora muito concorrida em romarias” segundo consta.

Os festejos em honra da padroeira realizam-se no primeiro fim de semana de junho. Na sua organização, conta a Paróquia com a colaboração do Clube Recreativo e Cultural de Aldeia Galega, fundado em 1983.

Em Aldeia Galega nasceram:

 - Irmã Francisca de Meira (1573 – 1636), religiosa da Ordem Terceira de São Francisco, falecida também neste lugar.

 - Frei D. Manuel Pereira da Silva, bispo do Rio de Janeiro e secretário do rei D. Pedro.

Nos arredores do lugar situam-se algumas propriedades importantes como a Quinta de Chocapalha, que pertenceu, nos séculos XIX e XX à família Duff, de origem escocesa.

Para o Professor António de Oliveira Cordeiro Melo, personalidade ilustre e dedicada à nossa história, entretanto já falecido, Merceana terá origem latina “Mersi-Ana” significando terras imersas do “Ana”“Ana” seria o antigo nome do rio que atravessa o concelho de Norte a Sul.

Segundo consta, a sua fundação data de 1525, “quando depois da fundação do templo de Nossa Senhora da Piedade as contínuas romarias necessitaram a edificação de casas de hospedagem para os romeiros, e feirantes”.

Em 1518 já aqui residiam alguns confrades da Casa do Espírito Santo de Alenquer: os cavaleiros João Leitão, juiz ordinário e Martim de Miranda. Em 1525 passarão também a fazer parte daquela irmandade o escudeiro Manuel Leitão e sua mulher Guiomar Rebelo, também da Merceana.

Entre os soldados portugueses que prestaram serviço na índia durante o século XVI, encontra-se o nome de João Fialho, deste lugar.

A Igreja de Nossa Senhora da Piedade foi fundada pela rainha D. Leonor, viúva de D. João II, no local onde antes estivera uma ermida que se tornara muito concorrida, e que por sua vez fora construída no sítio onde se conta, “ocorrera o milagre do aparecimento da imagem da Virgem ao boi Marciano”. Há nesta igreja dois painéis de azulejos policromos que ilustram essa lenda. No arco triunfal, renascentista, inscreve-se a referida data de 1525.

Por ocasião das invasões francesas esta igreja foi saqueada e transformada em cavalariça. O início das obras do Convento de Santo António da Merceana, de frades capuchos, próximo do lugar no sítio de Charnais, remonta a 1598, a primeira comunidade fixar-se-á poucos anos depois, iniciando-se em 1606 a construção da igreja conventual. “O padroado e capela-mor são concedidos a Damião de Aguiar, chanceler-mor do Conselho de Filipe I e sua mulher, como reconhecimento pela esmola despendida para a edificação”. Um século mais tarde o convento é ampliado e nesta fase são benfeitores D. João Rolim de Moura, da Casa de Azambuja, e sua mulher.

Aquando da sua extinção, as instalações conventuais foram cedidas à Misericórdia de Aldeia Galega, passando a servir de hospital. 

Conserva ainda as suas principais dependências: igreja, portaria, claustro, casa do Capítulo, cozinha, refeitório, dormitórios e cerca. Destacam-se, pelo seu valor, os azulejos da igreja, claustro e outras dependências.

Entre as figuras notáveis nascidas na Merceana contam-se:

Francisco Dias, pedreiro, arquiteto, carpinteiro e piloto, aqui nascido em 1538, faleceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1633. Foi mestre de obras da igreja de S. Roque, em Lisboa, e autor da planta do colégio da ilha Terceira. No Brasil, foi autor de plantas de colégios e igrejas na Baía, Olinda, Rio de Janeiro e Santos, e inspetor-geral das obras dos colégios. Como piloto nunca sofreu um naufrágio.

Frei António da Merceana, que se celebrizou como um dos primeiros missionários nos sertões do Grão Pará, Estado do Maranhão, Brasil. Faleceu em 1645.

Rodrigo de Boaventura Martins Pereira, médico, professor e publicista, nascido neste lugar em 1842. Fez o curso da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Estabeleceu clínica na Merceana, de onde saiu para lecionar na escola onde se formara e onde chegou a lente catedrático e regeu a cadeira de anatomia. Publicou “Memória, Vinhedos e Vinhos”, “Cartas ao Visconde de Chanceleiros”, “A Unidade na Natureza”, “A Rotação e o Movimento Curvilíneo”, “José Martins Pereira – traços biográficos”. Faleceu em Lisboa em 1897.

Na história da imprensa periódica do concelho registam-se dois títulos da Merceana: “O Merceanense” e “O Alto Concelho de Alenquer”.

Nos arredores, a Quinta dos Plátanos, outrora Quinta de João Carneiro, foi cabeça de um morgadio instituído no século XVII por Mateus Pais, cónego da Sé de Lisboa. Sempre na posse da mesma família, virá a pertencer, na segunda metade do século XIX, a José de Meneses Correia de Sá (1848-1921), agraciado em 1895, com o título de 1.º Visconde da Merceana. O aspeto atual do edifício principal resulta das alterações realizadas durante o primeiro quartel do século XX, sob a orientação do arquiteto João Cristino da Silva. Tem uma capela de invocação de Nossa Senhora da Piedade.

Na origem do nome da localidade do Arneiro, Guilherme Henriques, citando Viterbo, afirma que a palavra arneiro “quer dizer um areal, terra, monte, ou praia cheia de areia”. Em finais do século XV pertencia à vintena de Aldeia Gavinha.

No centro da povoação encontra-se a capela do Espírito Santo, que já existia no início do século XVIII, tendo então anexa uma albergaria ou hospital. Em 1873 estava em estado de ruína.

A capela, foi instituída por João Afonso, “Rebolão” de alcunha, em 1571, o Padre António de Quental e o Prior António Delgado Franco.

Entre o Arneiro e o do Paiol, situa-se a Quinta de São João, onde se encontra uma antiga capela da mesma invocação que, apesar de bastante alterada, tem peças notáveis de estatuária e azulejaria.

Apesar de seus pais residirem em Aldeia Galega, foi no lugar do Paiol, na casa dos avós maternos, que nasceu em 1885, o arqueólogo Hipólito de Almeida da Costa Cabaço. Filho de um lavrador e comerciante fixa-se em França em 1901, com o objetivo de se especializar no tratamento e fabrico de vinhos. Nos museus franceses desperta para a arqueologia, sobretudo para o material do período paleolítico. Regressa a Portugal em 1903 e desde logo dá início aos primeiros achados, “a mais extensa e coerente obra de prospeção e exploração dentro dos domínios da Pré-história, realizada na primeira metade do século XX, sobretudo nesse setor ingrato, difícil e controverso que é o paleolítico”. Palavras de Maria Amélia Horta Pereira, que define Hipólito Cabaço como “pioneiro heroico e gigantesco” da arqueologia portuguesa. Para além do Paleolítico, Cabaço localizou estações dos períodos Mesolítico, Eneolítico, Bronze, Ferro, Romano, Medieval e ainda de Paleontologia e Antropologia, nos concelhos de Alenquer, Salvaterra de Magos, Azambuja, Peniche, Caldas da Rainha, Santarém, Abrantes, Elvas, Cadaval e outros, de onde recolheu milhares de peças que vieram dar origem ao atual Museu Municipal Hipólito Cabaço, em Alenquer.

Sócio da Associação dos Arqueólogos Portugueses relacionou-se e trabalhou em conjunto com arqueólogos portugueses do seu tempo. Viria a falecer em 1970, na Quinta da Boa Água, junto ao Carregado.

A pouca distância do Paiol fica a Quinta da Junqueira, de arquitetura setecentista, em cuja capela, hoje arruinada, existem bons exemplares de azulejos dos séculos XVII e XVIII. 

Barbas de Porco, tinha já este nome em finais do século XV, pertencendo então à vintena de Aldeia Gavinha e contava apenas com três fogos, número que triplicará até ao final do primeiro quartel do século XVI. Em 1731 existia neste lugar uma ermida de Nossa Senhora do Rosário.

A Barbas, esteve intimamente ligada nos séculos XVII e XVIII a família Correia de Almeida e Meneses, detentora das quintas de Barbas de Porco e do Anjo. No século XVI, esta última pertenceu a uma família Avelar, como atesta o brasão de armas que se encontra na fachada principal do edifício. Tudo aponta para que se trate dos Avelar de Alenquer, uma das principais famílias daquela vila, de quem procedem, por exemplo a mulher de Lançarote Gomes Godinho, alferes da bandeira real na Índia, ou a mãe de Manuel de Gouveia, correio-mor do reino. Já na segunda metade do século XIX, mais concretamente em 1873, a Quinta do Anjo está na posse de António Joaquim Vieira de Magalhães, 1.º Conde de Magalhães, que chegou a ocupar a pasta dos Negócios da Fazenda, em 1870, por curto período. 

A Corujeira, “Povoação reles, em sítio penhascoso, mais próprio para a criação de corujas”, é assim que a generalidade dos dicionários define o nome deste lugar, situado na estrada entre Aldeia Galega e Sobral de Monte Agraço. Parte do lugar pertence ao concelho de Alenquer, freguesia de Aldeia Galega da Merceana e Aldeia Gavinha.

 Em 1530, Diogo Álvares da Rocha, da Corujeira, contador do juízo Geral de Alenquer, era confrade da Casa do Espírito Santo. No meio de grande mata, a Quinta da Corujeira apresenta, nas suas edificações, dois períodos: o século XVII, quando pertenceu aos Marqueses de Marialva, e os finais do século XIX, quando se encontra na posse do Conde do Casal Ribeiro.

Aldeia Gavinha

Considerada a segunda menor Freguesia das 16 que integravam o Concelho de Alenquer, antes da reorganização administrativa de 2013, tinha uma área de 8,25km2. Porém outrora, toda a área da Freguesia de Olhalvo, bem como Freixial de Cima, Cortegana e Atalaia, que agora pertencem à Freguesia de Ventosa, foram parte integrante da então Paroquia de Aldeia Gavinha da Invocação de Stª Maria Madalena, priorado das Rainhas.

Por requerimento dos moradores, cujo deferimento data de 1612, foi separada e constituída a Paróquia de Olhalvo, cuja sede teve lugar na Ermida de Olhalvo da Invocação de Nossa Senhora da Encarnação e de S. Sebastião, à qual passaram a pertencer os lugares de Olhalvo, Pocariça e Penafirme, bem como algumas Quintas e Casais, continuando no entanto, o curado anexo à Igreja de Stª Maria Madalena.

Fazia então parte do Concelho de Aldeia Galega, cuja comarca (ouvidoria ou julgado) era em Alenquer. Posteriormente em 24-10-1855 com a revisão administrativa, aquele concelho foi extinto como tantos outros, e todas as suas Freguesias cujos limites definidos são os atuais e que não diferem muito das Paróquias de então, passaram para o Concelho de Alenquer.

Desconhece-se a data exata da fundação da Antiga Freguesia de Aldeia Gavinha, supomos no entanto que a sua origem terá tido raízes no reinado de D. Afonso V.

Consta que D. Manuel I ao celebrar em 1447 o contrato ante nupcial com a sua primeira mulher a Infanta D. Isabel, ter-lhe-á legado o senhorio de todas as “Villas” que constituíam a Câmara da rainha D. Leonor e que, por morte desta passariam a pertencer-lhe.

Porém, D. Isabel acabou por falecer antes de D. Leonor e em 1502 D. Manuel contraiu em Toledo, segundas núpcias com a Princesa D. Maria. A escritura feita nessa data estipula a doação a sua esposa das “ Villas de Alenquer, Obidos, Sintra, Aldeia Galega e Aldeia Gavinha.”

A povoação de Aldeia Gavinha, propriamente dita pensa-se remontar à época do grande império Romano e sabe-se que por circunstâncias várias, nem sempre se situou geograficamente no mesmo local.

Na verdade, parece evidente que a encosta defronte da atual povoação, relativamente perto dos atuais Casais de S. Martinho, terá sido o berço do anterior lugar, pois no local existem ainda restos de alicerces de casas e há vários anos foram descobertas duas lages com inserções esculpidas

Este povoado, terá existido até ao séc. XV, data em que uma terrível peste dizimou os seus habitantes. Foi então que as famílias que escaparam, se mudaram para a encosta onde se situa atualmente a Aldeia, pois segundo constava, no local residia uma família, cujos membros escaparam ilesos ao flagelo. Foi aí que após ter terminado o surto de peste, construíram as suas habitações formado um novo e florescente lugar.

Em Aldeia Gavinha existiram várias ermidas. A do Espirito Santo, que tinha administrador e estava sujeita à provedoria de Alenquer e cujo espaço depois de ter tido as mais diversas utilizações, ainda existe, tendo sido entretanto restaurada.

A de S. Sebastião, destruída pelo terramoto de 1755, actualmente restaurada e a de N.ª Sr.ª da Conceição, ocupada outrora por um Recolhimento de Mulheres Donzelas ali fundado e posteriormente transferido para Olhalvo e cujo abandono levou à sua degradação, acabando por desaparecer.

Existe também uma Igreja Matriz, de exterior Barroco, mas com interior de três naves, com colunas góticas e arcos em ogiva, sendo os capitéis com polilobulado Manuelino, cuja construção deverá rondar o ano de 1550, já que naquele local existe uma campa em cuja lápide se pode ler a seguinte inscrição: “aqui jaz António Glz. O 1º prior que foi desta igreja 1561”. O terramoto de 1755 causou-lhe sérios estragos pelo que como consequência sofreu grandes reparações. Delas são testemunha, os três altares de talha e o teto de madeira pintada da capela-mor. Possui 5 altares sendo o principal de Stª Maria Madalena, padroeira de Aldeia Gavinha. As paredes são revestidas por belos painéis de azulejos seiscentistas. São ainda dignos de referência, a capela batismal de cúpula semi-esférica, com uma pia batismal de traça manuelina e um painel de azulejos com o tema “Batismo de Cristo”, e a sacristia que possui um outro painel de azulejos do séc. XVII com o tema “Anunciação”.

A igreja teve em tempos um órgão de tubos que se perdeu, em virtude da progressiva degradação do telhado, a água começou a entrar no seu interior danificando-o totalmente.

Nas restantes povoações, podemos referir outras capelas, uma das quais se encontra muito cuidada, a de S. Luís que se situa no Frei­xial do Meio, enquanto que as de N.ª Srª. da Penha de França no Tojal e a de N.ª Srª. da Nazaret em Montegil foram arrasadas com o terramoto de 1755.

Merecem ainda referência em Aldeia Gavinha, duas construções que de certo modo se revestem de alguma importância; são elas a fonte Gótica de arco em ogiva, situada no atual largo da Fonte e o Cruzeiro, mandado eri­gir por Dª. Mariana de Noronha, que para o efeito retirou terreno da sua propriedade e se localiza junto das ruínas da Ermida de S. Sebastião.

Existiram ainda nesta povoação, o Recolhimento de Mulheres Donzelas, devota­das com o estatuto de ordem 3ª de Sta. Teresa (Carmelitas) que gozaram do generoso protecionismo da Rainha D. Luisa de Gusmão, as Irmandades do Santíssimo e das Almas e também por cá militaram e prestaram os seus serviços um grupo de Irmãs da Caridade, dependentes da ordem Franciscana Hos­pitaleira que usavam a designação de "Trinas" e estavam instaladas num complexo ha­bitacional que lhes terá sido doado por Zacarias de Oliveira com a condição de darem sopa aos pobres, ensinarem catequese e ministrarem ensino gratuito. A sua obra per­durou até 1910, data da Proclamação da República, ano em que foi extinta. No local contíguo à habitação, também sua propriedade, foi construída a antiga Escola Primária, onde atualmente funciona o Jardim de Infância em virtude de ter sido construído novo Edifício destinado à Escola Primária.

Três Quintas, entre muitas outras integradas no território da Freguesia de Aldeia Gavinha, merecem especial destaque, pois delas se diz, terem sido um Vínculo instituído por um arcebispo de Braga, são elas a Qtª. do Castelo, Qtª. da Conceição e a Qtª. da Cidade.

Consta que estas poderão ter sido as primeiras casas da Aldeia, a qual seria uma das mais ricas do concelho de Alen­quer, por possuir terrenos de grande qualidade, completamente cultivados e onde, como atualmente, predominava a cultura da vinha, a qual parece ter-lhe dado o nome de Aldeia Gavinha - "Terra de Gavinhas" ou "Alem das Vinhas”.

Aldeia Gavinha foi ainda mãe de alguns personagens de grande projeção Nacional:

Francisco de Sousa e Almada, escritor, nascido em 3 de Outubro de 1676, as suas obras revelam-no impregnado dum estilo muito próprio do seu tempo: “Ramalhete Apolinio de Várias Flores”, “Suspiros na Perda e Alívios na Saudade” e  “Discurso Problemático”. Desconhece-se a data da sua morte.

Frei João de N. Sª. Senhora - "O Fradinho de Xabregas" nasceu a 12 de Junho de 1701 e faleceu a 9 de Abril de 1758, com 56 anos de idade. Nasceu na Aldeia de Freixial de Baixo, que fez parte da Antiga freguesia de Aldeia­ Gavinha e que viria a desaparecer com o terramoto de 1755.

Disse a sua primeira missa na Igreja de S. Maria Madalena, por alma de seu pai.

- Palmira Bastos, de seu nome Maria da Conceição nasceu em Aldeia Gavinha a 30 de Maio de 1875 e faleceu a 10 de Maio de 1967.

Filha de atores Espanhóis de um teatro itinerante, seus pais D. Pedro Echavarria Martins e sua mãe D. Maria Dolores Echavarria Martins, iam de viagem e foi por obra do acaso que o seu nascimento aqui ocorreu. Baptizada na igre­ja de Stª Maria Madalena, teve por madrinha de batismo N.ª Srª. da Conceição por quem passou a ser uma grande devota.

Os críticos de teatro em particular e o publico em geral haviam de a consi­derar uma das maiores actrizes de teatro de todos os tempos (profissão a que se dedicou de alma e coração).

A casa onde nasceu é hoje propriedade da Junta de Freguesia que com o apoio da Câmara Municipal de Alenquer a adquiriu ao seu último proprietário.

Por aqui terminamos esta breve viagem aos meandros da nossa história, estando conscientes de que muito fica por dizer. Temos consciência de que, em algum momento desta nossa narrativa possamos ter cometido alguns lapsos, transcrito alguma fonte menos fiel, ou ainda termos omitido algum facto. Foi com esforço, que procuramos extrair do meio da variadíssima literatura consultada, o retrato que aqui deixamos da União das Freguesias de Aldeia Galega da Merceana e Aldeia Gavinha, suas ori­gens e seu passado.

Bibliografia

  •         “A voz dos documentos” de Domingos Duarte Belo
  •         “Dicionário enciclopédico das Freguesias” – Minha terra
  •         Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Alenquer
  •         Arquivo Histórico (1988) da Junta de Freguesia de Aldeia Gavinha

cxvbxcbhvcnvbmnbvm,v,,n,v,v,nv,nbv,n,,vb,..mn,.mnv,.,nm